A Solidão Pode Matar

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A cada dia que passa, mais e mais indivíduos se queixam de um dos sentimentos mais antigos: Solidão, principalmente quando chega o final do ano. O que faz com que as pessoas se sintam reclusas em si próprias? O será que está acontecendo com a humanidade, cada vez mais individualista e solitária? É imprescindível que todos os dias o indivíduo repense seus valores, esqueça mágoas passadas, reconcilie-se consigo mesmo, estenda a mão, perdoe, sinta saudades, desabafe, medite, resgate amizades esquecidas, confraternize-se, integre – se, valorizando a vida e o seu semelhante. A falta destes hábitos são alguns dos agentes que fazem com que as pessoas se sintam só. Por que a humanidade está cada vez mais individualista e os relacionamentos cada vez menos duradouros? Parece que o mundo está ficando grande demais e elas já não se encontram dentro dele. Embora esse sentimento seja único, cada um o experimenta de formas e sob condições diferentes: uns se sobrecarregam de tarefas, que nem sempre têm condições de realizar; outros colecionam “pseudo amigos”, com os quais pouco se relacionam dosando o grau de intimidade que os envolve. Inúmeras sugestões se afloram para minimizar a solidão que parecem fáceis e gratificantes. Sobre o assunto, falamos com o Dr. Leonard Verea, Médico Psiquiatra especialista em Hipnose e Medicina Psicossomática.

1. Há cura para a solidão?
Dr. Verea – O homem é o único animal que não sobrevive sozinho. Como seres sociais precisamos estar no meio de pessoas, conviver com os outros para poder encontrar nosso equilíbrio. Vivemos em função de símbolos positivos e/ou negativos que nós mesmos alimentamos. Culturalmente, nos acostumamos a certos preconceitos e limites que nos fazem sofrer muito, especialmente quando estamos sozinhos. Sentimo-nos, muitas vezes, inseguros a ponto de procurar e freqüentar lugares com “gente”, mas temos dificuldades em ir sozinhos a festas, cinemas, restaurantes, etc. Juntando estas informações, encontramos a cura para a solidão: SAIR… não ficar fechados dentro de casa, do casulo que nos prende e sufoca; sair do ambiente que propicia a alimentação dos símbolos negativos que nos levam à tristeza e depressão. Precisamos nos forçar para ir encontrar “gente”, buscar nossa “tribo”, freqüentar todos aqueles ambientes que gostamos e que podem nos oferecer oportunidades para jogar para trás a solidão. O isolamento excessivo é prejudicial.

2. Uma solidão é diferente das solidões dos outros?
Dr. Verea – A solidão é uma sensação individual. Existe a solidão de quem está longe da família; a solidão de quem não tem família nem amigos; a solidão de quem não pode mostrar fragilidade, que leva à insegurança, medo, etc. Como exemplo podemos citar um dirigente de uma empresa ou de uma nação, sempre solicitado a cumprir um papel importante ou a tomar decisões às vezes difíceis e que em hipótese alguma pode mostrar o outro lado da sua personalidade. Pode-se também sentir solidão até acompanhado.

3. Por que tanta gente se sente só mesmo estando acompanhado?
Dr. Verea – Solidão é algo que diz respeito a nós mesmos, a forma de como encaramos a vida e de como criamos a relação de complementaridade com a vida versus a relação de competitividade. Podemos nos sentir tremendamente sozinhos no meio da multidão, se não nos identificamos com ela, assim como podemos nos sentir muito bem sozinhos, se precisamos daquele momento de reflexão para entrar em equilíbrio conosco e com a vida. Neste caso, a solidão é saudável.

4. Quem sofre mais com a solidão: o homem ou a mulher?
Dr. Verea – Acho que é equivalente, porém o homem tem menos preconceito em sair sozinho e buscar companhia do que a mulher.

5. Solidão depende de idade? É mais acentuada na velhice?
Dr. Verea – Não, mas a velhice, infelizmente, acentua todas aquelas dificuldades que se desenvolvem ao longo da vida.

6. Solidão e depressão podem estar relacionadas com riqueza ou pobreza?
Dr. Verea – Podem. Uma pessoa às vezes se isola, pois acha que todos que dela se aproximam buscar seu dinheiro. E isso é realmente lamentável.

7. A solidão pode se transformar em doença?
Dr. Verea – Sim, quando não conseguimos enfrentar e vencer este sentimento, sentimo – nos cada vez mais frágeis e expostos às intempéries da vida, portanto menos imunes, fortes, resistentes às doenças. Começamos a alimentar uma baixa auto-estima, nos gostando e nos aceitando cada vez menos, nos tornando cada vez mais impotentes, chegando à depressão física e emocional. A cura está no aconselhamento profissional. Somos especialistas na cura pela hipnose e na medicina psicossomática.

8. A solidão pode gerar inveja?
Dr. Verea – Quando se vive uma baixa auto-estima e um estado depressivo, invejar a vida dos outros é muito mais fácil e interessante, ajudando a alimentar este círculo vicioso.

9. As pessoas podem até cometer homicídios por ter auto-estima baixa?
Dr. Verea – É muito mais comum cometer suicídio, por achar, num certo ponto da vida, de que nada mais vale a pena.

10. Dê algumas dicas para minimizar o problema, enquanto um tratamento médico não chega.
Dr. Verea – Cultive seu carisma e torne sua personalidade mais marcante. Estude, leia e se atualize, Descubra o segredo de uma convivência feliz, integral, saudável e verdadeira, sem discriminações ou preconceitos. Participe. Não deixe que o isolamento social se torne uma grave doença.

• Seja sincero e sensível com os outros.

• Cultive o hábito de sorrir e do bom humor.

• Cumprimente as pessoas pelo aniversário, nascimento de um filho ou um trabalho bem feito.

• Não economize palavras tais como: muito obrigado; bom dia; com licença; por favor; parabéns.

• Comunique-se sempre que puder, telefonando, enviando cartões, flores, bombons. Todos gostam de ser lembrados, inclusive você.

• As pessoas mais carismáticas e admiradas são aquelas, cuja humildade é sua maior virtude. Não seja arrogante. Saia de uma batalha, de onde todos sejam vencedores, inclusive você .

• Interesse-se pelo próximo ajudando-o e descobrirá a magia de se sentir útil. É preferível ajudar do que precisar de ajuda.

• Procure admirar e não invejar, incentivar e não encolher, ser escolhido e não escolher.

O crescimento interno certamente o fará se livrar do eremita que há dentro de si, dando lugar a uma nova pessoa admirada.

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