Estresse no trabalho que causa depressão

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Sucesso profissional comprometido devido síndrome de burnout – em oito anos, a depressão passará a ser a segunda maior causa de incapacitação para o trabalho

 

 

A Organização Mundial da Saúde prevê que, em breve, a depressão alcançará o segundo lugar no ranking DALYs (Disability Adjusted Life Years), que menciona as doenças que causam maior possibilidade de perda da vida. Provavelmente, porque a depressão atinge cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo causa comum dos 850 mil suicídios contabilizados anualmente. Além disso, o problema já é o número um em outro ranking da OMS, o YLDs (Years lived with disability), ou “anos vividos diante de uma incapacidade”. O número de pessoas com depressão aumenta a cada dia e suspeita-se que um dos motivos seja a pressão cada vez maior que as pessoas suportam no trabalho. “Os dados nos dão um alerta: em uma sociedade competitiva e sem colaboração entre os indivíduos, as pessoas vão adoecer mais. Temos muitos papéis para desempenhar e isso nos leva à exaustão e nos traz sentimentos de impotência e incapacidade”, avalia Dr. Leonard Verea, psiquiatra.

 

“Estresse no trabalho causa depressão até mesmo àqueles que não têm nenhum histórico de desordem psiquiátrica. Além disso, constatou-se que a depressão pode ocorrer independentemente da personalidade do indivíduo, ou de sua posição socioeconômica. 45% dos novos casos de depressão e ansiedade entre os profissionais mais jovens a causa era o estresse. Pesquisas revelam que 14% das mulheres e 10% dos homens registraram o primeiro episódio de depressão ou ansiedade aos 32 anos”, diz Dr. Leonard.

 

É cada vez mais comum, em empresas brasileiras, encontrar pessoas com problemas relacionados ao excesso de trabalho. Dr. Leonard Verea, diz que o trabalho nem sempre possibilita realização profissional; algumas vezes causa desde insatisfação ou frustração, até exaustão emocional. Isso é o que caracteriza a síndrome de Burnout.

 

Manifesta-se com a sensação de estar esgotado, daí o termo ser sinônimo de síndrome do esgotamento profissional. Atividades que pressupõem relação de ajuda aos outros, como a de médicos, enfermeiros, professores e psicólogos, são alvos da patologia. Nas áreas empresariais competitivas e com objetivos de produtividade muito elevados para curtos períodos, o fenômeno também se manifesta. “Pessoas com síndrome de Burnout se cobram demais no trabalho e precisam constantemente de elogio àquilo produzido”, explica Dr. Leonard.

 

A depressão é hoje considerada uma doença. Ela se instala de forma lenta, em gotas, de maneira que as pessoas não se dão conta do problema. Algumas já têm uma predisposição genética, isto é, se alguém da família já sofreu de depressão, existe a possibilidade de elas sofrerem também. Ainda existe a depressão reativa, causada por situações difíceis que enfrentamos, como a morte de um ente querido ou o fim de um relacionamento, por exemplo. Porém, é muito comum a depressão causada pelo estresse crônico, principalmente por conta do trabalho. “No trabalho, é onde mais precisamos trabalhar nossa autoimagem”, defende o especialista.
A síndrome costuma obedecer à seguinte sintomatologia: esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais, desenvolvimento de atitudes negativas, cinismo para com outras pessoas no trabalho, sintomas físicos de estresse, como cansaço e mal estar geral, tendência a avaliar o próprio trabalho de maneira negativa, esgotamento, fracasso e baixa autoestima. “Engolir sapos, não reagir a eventuais abusos, não conseguir impor seu ponto de vista, não estabelecer limites (enquanto a chefia aumenta demais a carga de trabalho), não falar o que sente, alta expectativa que nunca é atendida, falta de reconhecimento, frustrações constantes. São situações insuportáveis que agravam, aos poucos, o mundo emocional da pessoa. O excesso de trabalho, por exemplo, causa sensação de fracasso. Contornar a depressão irá depender de como a pessoa identifica o problema e busca uma solução”, alerta.

 

A questão principal que devemos relatar aqui é que o depressivo não enxerga soluções no dia-a-dia, mesmo as mais simples, o que ocasiona a queda na produtividade e da criatividade. Para piorar, muitas vezes, ele não percebe, ou não admite que esteja sofrendo da doença. “Aparentemente, a pessoa está bem, feliz. Nunca imaginamos que aquele profissional tão bem-sucedido sofre de depressão, pois ele não conta seus problemas a ninguém. Parece vergonhoso sofrer de depressão”, relata Dr. Leonard.

 

Tudo aquilo com o que o profissional não consegue lidar, emocionalmente, o corpo acaba sentindo. De repente, o profissional começa a apresentar problemas gástricos, ou dor de cabeça, insônia ou crises de alergia. Médicos dizem que até mesmo o câncer está ligado a problemas emocionais. “A depressão diminui a imunidade do profissional”.

O mais indicado, em um processo depressivo, é reconhecer o problema e procurar ajuda médica. É provável que seja necessário tomar remédio e tirar algumas semanas de licença do trabalho. As pessoas, sozinhas, e com depressão têm dificuldade de lidar com seus conflitos internos, pois já perderam o referencial.

Como muitas vezes a depressão tem origem no trabalho, procure melhorar suas expectativas com relação ao emprego, sendo realista. “É importante saber o que a empresa espera de você, bem como aonde você pode chegar. Ter um grau de expectativa muito alto pode ser perigoso. Ficar esperando uma promoção, batalhando, desta maneira, muito por ela, pode ocasionar uma frustração”.

A mensagem, então, é não exagerar na dose na dedicação ao trabalho. Não viver somente neste “mundinho”. Outra dica  é se conhecer, identificando suas expectativas, e ter metas e sonhos. “Busque alternativas para viver uma vida mais leve e não ficar focado no trabalho” somente.

Você tem tendência a ter depressão?

É possível prevenir-se prestando atenção ao nosso mundo emocional. As pessoas com tendência à depressão apresentam as seguintes características:
• Imagem negativa de si mesma;

  • Atitude derrotista. “A pessoa pensa que com ela nada dá certo”
  • Perspectiva negativa quanto ao futuro;
  • Padrão de pensamento negativo, pessimismo.

 

SERVIÇO:

Dr. Leonard F. Verea – médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap.

www.verea.com.br

11 5051 2055

 

 

 

 

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